Alcindo de Figueiredo Baena




Titular em 25/09/2021

Especialidade:

Acadêmico Patrono

Cadeira: 9

Patrono:


Mini currículo:

Mais uma vez, esta Casa demonstra imensa felicidade na escolha de seus patronos, pois o Prof. Alcindo de Figueiredo Baena é um nome que efetivamente honra e dignifica a medicina brasileira.

Foi um homem de cultura invulgar, com absoluta dedicação à sua profissão, verdadeiro amigo dos seus amigos e grande seguidor do preceito "mens sana in corpore sano". Estes três ângulos da sua personalidade, ficaram sobejamente evidenciados no estudo que procuramos fazer sobre a vida do insigne professor.

O seu curriculum com dados biográficos, feito pelo próprio Prof. Baena, que me foi cedido pelos Professores Carlos Augusto de Oliveira Figueiredo e Orlando Costa, grandes seguidores de sua escola, na 17ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, deixo anexado a esse trabalho para arquivos da Academia.

Nasceu em 1889, na cidade de Valença, e faleceu na Guanabara em 1968, por conseguinte com quase 80 anos, intensamente vividos, pois tudo que se propunha fazer era realizado com dedicação e afinco.

No exercício da sua profissão, demonstrava no trato com os enfermos, tamanha simplicidade, dedicação e calor humano, que frequentemente já operava a metade da cura, somente em usar os referidos dons. Inclusive pessoas da minha família, puderam testemunhar essas afirmações.

No magistério foi, por concurso memorável, um dos mais jovens detentores da cátedra, pois a conquistou com apenas 27 anos de idade. Desenvolveu sadio esquema de ensino médico, ao lado de excelente serviço de cirurgia na Santa Casa do Rio de Janeiro.

As aulas obedeciam a um criterioso plano, onde o método expositivo tinha em seu verbo, o máximo proveito.

As explanações de fino vernáculo, se acompanhavam na lousa, de esquemas e desenhos feitos na hora, com perfeita entrosagem didática. Os alunos se sentiam presos à suas explicações convincentes e muitos deles se motivaram na figura do Prof. Figueiredo Baena, para seguirem sua especialidade. Enfim, era um professor na expressão da palavra.

As suas demonstrações cirúrgicas transcorriam em ambiente austero, com equipe bem entrosada, fazendo com que as intervenções complexas, se mostrassem simples aos olhos dos que assistiram, demonstrado completo domínio de tática e técnica cirúrgicas.

A cultura geral lhe emoldurava a personalidade; falava fluentemente inglês e francês, sendo inclusive o orador na recepção de autoridades estrangeiras, usando suas línguas de origem.

Ao se inaugurar o novo centro cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia do Rio, todo feito por sua inspiração, lá estava uma placa com significativos dizeres em latim. O Reitor da época, Prof. Pedro Calom, impressionado com o que vira e assistira, pergunta ao Prof. Baena qual o autor daqueles dizeres... E a resposta humildemente veio: "foi este pobre de Cristo que lhe fala".

Demonstrou sua sincera religiosidade, até na derradeira caminhada da existência, pois foi sepultado sem pompa e com as vestes da Ordem do Carmo, conforme seu desejo.

Ao lado da sua cultura polimorfa, era homem simples, avesso às homenagens de puro efeito pirotécnico, detestava a bajulice, punha-se ao lado da verdade e da justiça, intransigentemente, doesse a quem doesse. Sua palavra era firme, convincente e criteriosa, estava sempre a serviço da boa causa.

Era uma tranquilidade para qualquer candidato, em ansiosos concursos à docência-livre ou à cátedra, saber da presença do Prof. Baena na banca examinadora. Era certa a boa avaliação dos trabalhos apresentados e a honestidade do resultado, não comportando dúvidas, por menores que fossem. Por essas intransigências, era por vezes mal compreendido.

Sempre foi incondicional amigo dos seus amigos. Fato ocorrido com um enfermeiro do seu serviço, veio demonstrar isto com muita clareza, pois este humilde auxiliar estava sendo condenado pela morte de um cidadão, com quem dias antes havia entrado em luta corporal e ocasionou pequeno ferimento na perna, que evoluiu para uma gangrena, que por sua vez ocasionou o óbito.

O Prof. Baena fez questão de ir pessoalmente às barras do Tribunal e defendeu o enfermeiro.

Jamais descuidou de sua saúde, sendo grande desportista, e um fato muito difundido, veio confirmar esta faceta da sua personalidade: Atravessou a Baía de Guanabara e veio prestigiar uma festividade no Club Gragoatá em Niterói, remando juntamente com seu antigo companheiro do esporte, Arnaldo Voight, mais velho 8 anos do que ele, que naquela data estava com 72 anos. Donde concluiu-se que aquele barco estava na verdade transportando 150 anos.

Em 1907 foi membro da Comissão Federal de Combate à Peste Bubônica no Município de Campos e de 1911 a 1914, foi Inspetor Sanitário da Inspetoria da Higiene e Saúde Pública do estado do Rio, em Niterói.

Esteve comissionado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na França e Alemanha, durante um ano, a fim de aperfeiçoar conhecimentos técnicos.

Representou o Brasil em vários congressos médicos no exterior, tendo sido eleito presidente do Congresso Mundial de Urologia que se realizou no Rio de Janeiro em 1961.

 

DADOS BIOGRÁFICOS

 

Nasceu em 28 de fevereiro de 1889, na cidade de Valença, Estado do Rio de Janeiro, filho do advogado Dr. Romualdo de Andrade Baena e de D. Amélia de Figueiredo Baena; neto materno do Conselheiro Dr. Carlos Augusto de Oliveira Figueiredo e sobrinho paterno do Conselheiro Dr. Domingos de Andrade Figueira.

Estudos primários: Em Valença, no Externato Cossling e em Petrópolis no Colégio dos Padres Lazaristas de S. Vicente de Paula.

Estudos Secundários: No Ginásio do Estado, em Petrópolis, e no Ginásio do Estado, em São Paulo, para onde se transferiu no 6º ano do curso ginasial, aí concluindo o curso de humanidades com a turma de bacharéis em Ciências e Letras, de 1902.

Estudos Superiores: 1903-1908 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, pela qual se doutorou nesse ano, defendendo a tese em 14/08/1908 versando seu trabalho inaugural, aprovado com distinção, sobre Traumatismo do Ventre - Cadeira Cirúrgica - Serviço do Prof. Augusto Brant Paes Leme.

Profissão - Como médico - cargos anteriores - Interno do Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, por concurso de notas. Auxiliar Acadêmico do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, por concurso de provas; Membro da Comissão Federal de Combate à Peste Bubônica, em Campos, no Estado do Rio de Janeiro (1907) - Interno Residente da Casa de Saúde Marinhos Wernech (1908) - Adjunto do Serviço Clínico do Instituto Pasteur, em 1911; Médico Adjunto do Diretor desse Instituto, em 1909 - Inspetor Sanitário da Inspetoria de Higiene e Saúde Pública do Estado do Rio, em Niterói (1911-1914) - Assistente da 3ª Cadeira de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, do Prof. Paes Leme (1911-1918) - Regente do Curso de Propedêutica Cirúrgica (1917) - Livre Docente de Clínica Cirúrgica, por concurso, em 1912 - Professor Substituto da 12ª Seção de Clínica Cirúrgica e Clínica Pediátrica Cirúrgica e Ortopédica, por concurso, indicado pela maioria da Congregação, depois de provas a que se submeteu com Brandão Filho, Carlos Wernech, Raul Batista, Adolfo Passolo e Maurício Gudin - Substituto do Prof. de Clínica Pediátrica e Cirurgia em 1919 - Regente da 2ª Cadeira de Clínica Cirúrgica e Prof. Catedrático da 2ª Cadeira de Clínica Cirúrgica, em 1919 - Transferido, por decreto de 18 de março de 1931, para a Cadeira de Clínica Urológica, nesse ano criada com a Reforma de Ensino Francisco Campos - Chefe do Serviço de Urologia, para homens (17ª enfermaria) e para mulheres (24ª enfermaria) do Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, onde tinha sede oficial a Cadeira de Clínica Urológica da Faculdade de Medicina. Comissões - No estrangeiro - Comissionado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na Administração Azevedo Sodré, por proposta do Prof. Paes Leme, para estudar as técnicas dos laboratórios anexos às cadeiras de Clínica Cirúrgica, permaneceu na França e na Alemanha em 1912 e 1913, frequentando os serviços dos Professores Gosset e Marion, em Paris e Kerr, em Berlim.

Em 1925 viajou à França e Bélgica, comissionado pelo Governo para tomar parte nos Congressos de Cirurgia, em Paris, e de Acidentes do Trabalho e Moléstias Profissionais, em Auvers. Em 1932, à România, comissionado pela Universidade, no Congresso da sociedade Internacional de Cirurgia, em Paris. Em 1951, para representar a Universidade no Congresso Internacional de Medicina do Trabalho, em Lisboa. Em 1949, assistente do Congresso Americano (4º ano) e Chileno (1º) que se reuniu em Santiago e Vinã del Mar, no chile; nesse mesmo ano assistindo ao Congresso Internacional de Urologia, em Paris. Em 1951, assistindo em Atenas, o Congresso da Sociedade Internacional de Urologia em Barcelona e ao Congresso da Sociedade Internacional de Urologia, ali relatando o tema oficial, versando sobre Tratamento Pós-Operatório da Litiase, tendo sido eleito na Assembleia Geral de encerramento desse Congresso, para o lugar de Vice-Presidente da Sociedade Internacional de Urologia. Nesse mesmo ano, escreve como comentador, trabalho para o Congresso de Urologia Interamericano e Argentino, tratando da Incontinência Urinária na mulher.

Nesse mesmo ano colaborou com o trabalho sobre anomalia Renal Congênita no Livro Jubilar, publicando em Atenas, para comemorar as atividades científicas do Prof. Espiridião Oécominus.

Em 1958, representando o Brasil em Estocolmo, na Suécia, no Congresso Internacional de Urologia, tendo sido eleito, na seção de encerramento, para Presidente do próximo Congresso Internacional de Urologia, que se realizou no Brasil, em 1961.

Aposentado compulsoriamente, em julho de 1959, recebeu em seguida, o título de Professor Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual UFRJ.

Faleceu em 13 de julho de 1968.



Biografia escrita pelo Acadêmico Celso Erthal.


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