Acad. Carlos Tortelly Rodrigues Costa




Titular em 23/09/2021

Especialidade:

Acadêmico Benemérito

Acadêmico Patrono

Cadeira: 61

Patrono:


Mini currículo:

Nascido em 29 de março de 1912, na Estação da Estrada de Ferro Leopoldina, em Itaperuna (Bananeiras), quando sua mãe, Margarida, contava apenas 14 anos e seu pai, José Costa, modesto agente da estação. O casal daria ao país mais sete filhos: Waldir, Adauto, Evany, Margarida, Maria Augusta, José e Aluízio. Eles, por si, constituíram famílias ilustres, prestadoras de serviços que engrandeceram a vida do Estado do Rio e do Brasil. Nasceram com o Dr. Tortelly inúmeros filhos de médicos e hoje também médicos. Outras personalidades do mundo científico, cultural, artístico, econômico, social, também nasceram com o "Cegonha de Niterói". Aluízio Tortelly, seu filho, ex-vice-reitor da UFF; Rosana Bittencourt Silva, ex-Diretora da Faculdade de Medicina; ex-prefeito Jorge Roberto Silveira, Sérgio Mendes, Márcia Haydé, Bia Bedran, maestro Eduardo Lages, Cláudia Araújo e centenas de outros nomes expressivos que fariam esta lista interminável. 

Dentre as atividades que exerceu ao longo de sua benemérita vida, Carlos Tortelly presidiu a Academia Fluminense de Medicina, hoje Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, a Associação Médica Fluminense, , o Conselho Regional de Medicina, o SOS Niterói, sendo ainda vice-presidente da Associação Fluminense de Reabilitação. Membro Emérito e Titular das Academias de Medicina, Niteroiense e Fluminense de Letras é também sócio honorário da Academia Brasileira de Medicina Militar, da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos e consultor da Associação Brasileira de Municípios, sem contar com a sua humana colaboração com dezenas de entidades filantrópicas e de benemerência. Autor de centenas de trabalhos e artigos, foi co-autor do livro "Aborto - direito à vida" ao lado dos médicos João Evangelista dos Santos Alves, Dernival Brandão e Waldenir de Bragança. Seu nome, hoje, para orgulho de todos nós, faz parte da titularidade de maternidades, centros de estudos e postos de saúde. Além disso, possui centenas de títulos honoríficos, entre eles, a Ordem do Mérito Araribóia, Cidadão Niteroiense, medalhas e troféus. Faleceu, após longa enfermidade, na manhã do dia 08 de janeiro de 2003.

 CEM ANOS DE EXEMPLO À CLASSE MÉDICA 

Carlos Totelly Costa, honra e glória nestes cem anos que se passaram, mas seu nome e sua imagem permanece viva e como exemplo.

Nada melhor para resumir, se possível fosse, a pessoa que se foi e marcou a vida médica deste estado do que buscarmos nas palavras do Padre Manoel da Nóbrega a frase marcante: "Não há modo de mandar mais forte e suave que o EXEMPLO: persuade sem retórica, impele sem violência, convence sem debate, todas as dúvidas desata e corta caladamente todas as desculpas".

Foi o que deixou o "cegonha niteroiense": o exemplo. Pelos incontáveis partos realizados em nossa cidade e por sua dedicação e profissionalismo ao sacerdócio de médico obstetra. Mas ele não trouxe à vida somente crianças. Nasceu do seu amor à medicina e ao aprimoramento dos médicos a Academia Fluminense de Medicina - atual ACAMERJ - por ele fundada e onde até hoje seu nome permanece como presidente de honra; na criação da cooperativa dos colegas médicos, a Unimed... Seu amor ao próximo se estendeu também de maneira carinhosa, intensa e dedicada à causa médica na defesa desta classe, tanto na Associação Medica, quanto no Sindicato de Classe, na literatura e na poesia, onde seus poemas não ficaram gravados somente nas paginas dos livros publicados, mas também nas areias das praias e nas conchas dos mares.

Nossas homenagens ao colega Carlos Tortelly Costa em seu centenário.

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Biografia do Acadêmico Dr Carlos Tortelly Rodrigues da Costa - Patrono da Cadeira 64

Escrever realmente uma biografia do nosso querido "Cegonha de Niterói" é uma tarefa árdua, mas saborosa. Infelizmente se fosse descrever tudo que esse incrível médico fez em sua carreira de uma vida tão longa e bonita, tanto pessoalmente quanto socialmente, tanto no exercício da Medicina quanto no das artes, ele não estaria sendo homenageado nessa monografia, seria o tema da monografia, pois seu currículo é imenso e retrato de uma vida incrivelmente produtiva.

Dr. Carlos Tortelly Rodrigues da Costa nasceu em Itaperuna em 29 de março de 1912, filho primogênito do casal José Costa e Margarida Tortelly. Para entender melhor a origem desse casal voltamos no tempo de seus avós. Os maternos foram dois imigrantes italianos, Domingos Tortelly, de Gênova, que chegou ao Brasil com 12 anos e Augusta Ferraz, natural de Palermo. Os paternos foram Alexandre Herculano Rodrigues da Costa, bahiano de tradicional família e Maria Francisca de família humilde de Leopoldina em Minas Gerais. Tanto o avô materno como o paterno foram funcionários da Estrada de Ferro Leopoldina, o primeiro era Mestre de Linhas e o segundo Agente da Estação de Leopoldina por 50 anos.

A avó materna italiana, Augusta, tinha uma pensão em Campos dos Goitacazes e atendia funcionários da Leopoldina. Sua filha Margarida trabalhava desde muito jovem como copeira da pensão. O pai de nosso Patrono, o pensionista José Costa hóspede da pensão de Dona Augusta, sendo servido por aquela linda jovem de 14 anos, apaixonou-se. Ele foi quase tudo dentro da companhia, como telegrafista, conferente, escriturário, e quando nomeado Agente da Estação de Bananeiras, distrito de Itaperuna, concluiu que já tinha condições de se casar. Não perdeu tempo, levou Margarida para o altar. Onze

meses depois nascia o primogênito Carlos Tortelly Rodrigues da Costa. Mas José Costa e Margarida não pararam por aí, fizeram mais sete brasileiros: Waldir, Adauto, Evany, Margarida, Maria Augusta, José e Aluízio. Era até natural que o primeiro desses oito filhos enveredasse pela obstetrícia, de tanto que viu nenéns nascerem naquela casa. Alimentou desde cedo a forte vocação que todos conhecemos que o fez chegar à Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1931, vindo a se formar em 1936, com um amigo e colega da mesma turma, meu sogro João Gomes de Mattos Sobrinho, em uma incrível turma de 350 alunos oriundos de vários Estados e Países. Desde 1968, no quinto ano da faculdade, quando conheci minha esposa Lys, eu admirava com grande respeito aquele enorme diploma com um grande lacre de metal dourado, e o álbum com 350 fotos dos colegas de meu sogro na turma de 36. Lá estava, com 24 anos, o jovem Carlos Tortelly que conheci em Niterói já com seus 56 anos. Ele conviveu, vejam que sorte, com grandes mestres nos seus anos de internato no Hospital São Francisco de Assis da Santa Casa, na 12a enfermaria do Professor Rocha Vaz, no Hospital da Pro Matre com o grande Fernando de Magalhães, no Hospital Gafreé Guinle com o Professor Pinheiro Guimarães, na Maternidade de São Cristóvão com o Professor João Pereira de Carvalho, aonde posteriormente veio a ser Chefe de Clínica. Recém-formado, iniciou sua clínica em São Gonçalo num simples consultório em Santa Isabel, mas ainda em 1937 teve a iniciativa de ingressar na Sociedade de Medicina e Cirurgia de Niterói. Com sua incansável capacidade de trabalho, começou a alçar voos de grande altitude, porém sempre com a humildade, a dedicação e uma competência dificilmente igualada. E sua família crescia enquanto trabalhava incansavelmente. Foram 4 filhos com a esposa Leda: Aloisio Carlos, Fernando Carlos, Carlos Junior e Carlos Ângelo. Não me é possível relatar todos os órgãos onde trabalhou, todos em que foi diretor, todas as Associações e Sociedades Médicas que dirigiu, todos os trabalhos médicos apresentados em eventos científicos, todas as homenagens que recebeu, todas as publicações, os títulos honoríficos, as medalhas de honra, diplomas, e todas as poesias que fez ao longo da vida. Seria uma longa leitura de seu Currículo. Este é possível de ser encontrado na internet e facilmente acessado procurando pelo nome dele. Pena que está em documento antigo, datilografado, amarelado e copiado com baixa qualidade, com um carimbo da Câmara Municipal de Niterói. É um currículo que emociona a todos que queiram saber da história de vida desse grande médico, que recebeu em suas mãos, muito mais que Títulos, Homenagens e Medalhas. Mãos santas que receberam milhares de vidas humanas no momento em que vieram à luz. Inúmeros médicos quiseram que seus filhos viessem ao mundo com assistência dele. Muitos desses bebês são hoje também médicos. Um deles foi seu próprio filho Aloísio, o grande e respeitado neurocirurgião, e ex-vice-reitor da UFF, de quem tive o prazer da amizade. E, certamente com a mais forte emoção, o último parto que assistiu foi de sua neta mais nova em 1984, filha de Carlos Tortelly Junior e única neta médica, hoje a competente dermatologista Violeta Duarte Tortelly Costa. A pequena Violeta o acompanhava nos concursos de trova, inclusive levando suas poesias para também competir. Ele foi a fonte de inspiração da netinha para a medicina e quem despertou seu gosto pela escrita. Muitas outras personalidades também nasceram com o "Cegonha" de Niterói, como o ex-prefeito Jorge Roberto Silveira, Rosana Bittencourt Silva, Ex-Diretora da Faculdade de Medicina, o grande músico Sérgio Mendes, a bailarina Márcia Haydé, a compositora, cantora, atriz e educadora musical Bia Bedran, o maestro Eduardo Lages. Eram muitas mães querendo aquela atenção especial nessa importante hora de suas vidas. Um pequeno resumo de sua obra não pode deixar de ser escrito. Foram 20 trabalhos médicos apresentados, e livros como "Do direito do nascituro à vida" em colaboração com os Drs. João Evangelista da Silva, Dernival da Silva Brandão e Waldenir de Bragança, premiado pela Academia Nacional de Medicina; a "Biografia do Professor Fernando Magalhães"; "Da Previdência Social no Brasil" trabalho de conclusão de curso da ADESG. Dr. Tortelly teve vários poemas publicados em revistas e jornais, várias publicações entre livros e colaborações como, por exemplo, "O mar é meu encanto" de 1992 da Editora Cromos, "O beija flor e a rosa", "Vida e morte de Tereza de Calcutá", "O aborto e o direito à vida". Participou da antologia "Água escondida", de Neide Barros Rêgo com a poesia "Deus, o Homem e a Guerra". Recebeu mais de 20 prêmios em certames poéticos em Niterói, no Rio de Janeiro e em outras cidades. Foi homenageado por 10 instituições, postos de saúde, hospitais e maternidades com seu nome. Foi 8 vezes Presidente de congressos médicos, ocupou 9 cargos como Presidente de Associações e Instituições. Foi Secretário de Trabalho e Bem Estar Social do Governo de Waldenir de Bragança na Prefeitura de Niterói. Recebeu 169 diplomas, certificados, moções, sendo sócio honorário de diversas associações médicas em várias cidades. Foi citado no livro "O espetáculo mais triste da Terra - o incêndio do Gran Circo Americano" de Mauro Ventura da Editora Companhia das Letras, como um dos médicos que trabalhou no atendimento aos pacientes queimados, como muitos outros colegas que ainda estão entre nós.

Foi criador, junto com o Acadêmico Waldenir de Bragança, da UNIVERTI, a Universidade da Terceira Idade em 15 de abril de 1993, onde tive a honra de dar algumas aulas, a convite de Dr. Waldenir. Finalmente, ocupou cargos que não podem deixar de ser citados. Foi também um dos fundadores e primeiro Presidente da Academia Fluminense de Medicina, hoje ACAMERJ; Presidiu a Associação Médica Fluminense e o Conselho Regional de Medicina; foi Vice-Presidente da AFR - Associação Fluminense de Reabilitação; foi Membro Emérito e Titular das Academias Niteroiense e Fluminense de Letras; sócio honorário da Academia Brasileira de Medicina Militar e da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos, além de consultor da Associação Brasileira de Municípios. Minhas senhoras e senhores, meus amigos, colegas, Acadêmicos e Acadêmicas, nosso famoso "Cegonha Niteroiense" Dr. Carlos Tortelly, nos deixou o exemplo a seguir pelos incontáveis partos realizados, por sua dedicação e profissionalismo ao sacerdócio de médico obstetra. Mas ele não trouxe à vida somente crianças. Do seu amor à medicina, com um projeto de Estatuto idealizado por Francisco Pimentel em 1971, e com o amor de dedicados médicos, como José Hermínio Guasti, Eduardo Imbassahy, Newton Porto Brasil, Eduardo Kraichete, Mário Duarte Monteiro e Waldenir de Bragança, ele trouxe também à vida e ao aprimoramento dos médicos, a Academia Fluminense, hoje Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.


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           Na formatura                          Na maturidade


- Biografia escrita pelo Dr. Luiz Pimentel


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